
Não sei se era a minha avó que contava, ou a minha cabeça que imaginava…tudo o que me lembro e que nasci numa couve. Quando não se tem pai, nem mãe pode-se nascer de couves, de laranjeiras, de tulipas ou glicínias…Não sei porque terei nascido de uma couve, talvez pelas borboletas brancas e pretas que cirandavam em seu redor ou pelas roliças lagartinhas verdes que se contorciam e retorciam nas suas folhas carnudas e clorofilinas, talvez pela terra cor de chocolate que se estendia aos seus pés ou pelas gotas de água que se descansavam nos rebordos das folhas até ganharem coragem para saltar. Não sei porque foi, mas nasci de uma couve e o meu nome é Mathilda.